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Empresas e universidades estão aprendendo a estimular a troca de conteúdo por meio das emergentes mídias sociais e transformar os processos de treinamentos em algo frequente, a fim de superar a barreira das salas de aula.

As universidades vem encontrando no social learning boas oportunidades para trocar conhecimento e divulgar o seu “negócio”. Em 2008, a Fundação Getúlio Vargas foi a primeira instituição brasileira a ser membro do OCWC (Open Course Ware Consortium), o consórcio de instituições de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e materiais didáticos de graça pela internet.

O site FGV Online – Cursos Gratuitos ganhou até o prêmio OCW People´s Choice Awards 2011, das melhores iniciativas dentro do consórcio, na categoria de programas mais inovadores e de vanguarda.

Atualmente, o consórcio conta também com a participação da Escola Superior de Administração e Gestão, a Unisul, a Universidade Sorocaba e a Universidade federal Rural de Pernambuco.

Mercado 
As empresas devem ou não permitir que seus funcionários acessem redes sociais como Facebook e Twitter? Qual o limite para a exposição de informações, comentários, críticas, desejos – sobre o que rola no ambiente corporativo?

Este tipo de questionamento tem tomado tempo de gestores de empresas, e também de funcionários, preocupados com a recente invasão das mídias sociais no meio empresarial.

No entanto, essa questão é apenas um dos pontos das discussão sobre o papel que as as novas mídias vão representar na realidade das empresas – e nem é a mais importante.

“As empresas têm dificuldade na forma de lidar com essas questões até mesmo para o desenvolvimento do marketing”, afirma Conrado Shlochauer, sócio-diretor do Lab SSJ.

“Só liberar a ferramenta não acrescenta nada, nem às empresas, nem às salas de aulas. O importante é saber como gerir esse conteúdo em prol da aprendizagem social”.

Trata-se de um conceito antigo, definido também como aprendizagem de rede, ou quando as pessoas interagem entre si, sendo mediadas, ou não, pela tecnologia.

E, à parte o fato de se tratar de um tema da moda, Shlochauer acredita que a utilização das ferramentas de mídia social nas empresas fazem parte de um novo paradigma, que as empresas terão de enfrentar.

Por isso, o Lab SSJ, em parceria com a Editora Évora, lançou no país livro “O novo social learning – como transformar as empresas com aprendizagem em rede”, de Tony Bingham e Marcia Conner.

A obra trata da importância estratégica para as companhias de estimular e viabilizar a aprendizagem social (social learning, em inglês) com o apoio das novas mídias.

Todos concordam que aprender sempre foi um ato social – a teoria do “social learning, por exemplo, data de 1954 -, mas ele vem sendo alavancado por ferramentas comerciais como Facebook, Twitter, YouTube, blogs, wikis, além de programas corporativos como Socialtext, Socialcast, Newsgator e Lotus Connection.

A questão, afirma Schlochauer, é que sozinhas essas ferramentas não são capazes de gerar mudanças. “As pessoas é que fazem isso”, afirma.

E como? Colocando as pessoas para compartilhar suas informações on-line. “Uma empresa que investe bastante em treinamento consegue colocar um funcionário de 10 a 20 dias por ano em programa de capacitação.

A pergunta é: como manter esse aprendizado nos outros dias do ano?”, pergunta. “Criar redes de aprendizagem é mais fácil do que colocar todo mundo em uma sala de aula”, diz. E, no mundo de hoje, mais produtivo.

Veja o exemplo da gigante de consultoria Deloitte. A empresa incentivou, por meio da utilização de ferramentas gratuitas na internet, a criação de comunidades técnicas de trabalho, facilitando o acesso ao conhecimento de colegas de diversas partes do mundo.

O case da consultoria é um dos destaques da obra “O Novo Social Learning”, que é resultado de pesquisas e estudos realizados feitos pelos autores entre corporações ao redor do mundo.

Outro exemplo é a Sabre Holgins, proprietária do sistema de reservas Travelcity, que criou uma comunidade on-line interna, a SabreTwon, para facilitar a aprendizagem e a comunicação entre as várias áreas. Dentre os resultados, está a resolução de problemas de forma rápida.

“Quando alguém posta uma pergunta no mural on-line, o aplicativo antecipatório do sistema envia automaticamente a questão para as 15 pessoas cuja expertise é mais relevante sobre o assunto.”

O exemplo da Sabre é só um dentre os possíveis na utilização das redes sociais. “O mundo não tem uma solução pronta para social learning, estamos na fase de tentativa e erro. No treinamento tradicional, trabalha-se com o conteúdo padrão, a fim de dar às pessoas exatamente o que elas buscam. Já o social learning namora com a gestão do conhecimento”, diz Shlochauer, para quem o segredo é misturar o social com o informal para aprimorar o aprendizado on-line.

Via Information Week

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