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Dentro e fora de campanha, o candidato a um cargo político precisa exibir uma imagem de respeito, seriedade e confiança. E é essa a função do consultor de marketing político, o marketólogo: orientar o candidato durante as eleições e também em sua trajetória pessoal.

Com as recentes mudanças na legislação eleitoral, como a Lei da Ficha Limpa, esse profissional deve ser ainda mais requisitado.

“Com a aprovação da Ficha Limpa, o campo de trabalho vai crescer, já que surgirão novos candidatos que precisarão construir uma imagem do zero”, diz Mariângela Haswani, professora de comunicação pública da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo).

O marketing político compreende dois ramos de atuação: a comunicação política e o marketing eleitoral.

A comunicação política acontece fora do período de eleição. Trata de assuntos relacionados à imagem do candidato e suas ações, esteja ele atuando no governo ou não.

Já o marketing eleitoral é focado nos eleitores. “Começa um pouco antes da eleição e se concretiza no último dia de campanha, visando desenvolver ações do candidato para atingir os eleitores em massa”, explica o consultor político Gilberto Musto.

Cabe ao profissional contratar equipe para criar slogans, logotipos e jingles.

O marketólogo também organiza a agenda do candidato. “Eu ainda escolhia o figurino”, conta Haswani. “É preciso ter malícia para detectar espiões, rapidez para mudar estratégias que não dão certo, capacidade para analisar situações e usar pesquisas de opinião”, diz a professora.

Encerrada a campanha, o trabalho do consultor de marketing não termina. “Essa é a etapa de consolidação de uma base social para favorecer o mandato e as próximas eleições”, explica Haswani.

Além de ensinar estratégias, os cursos de especialização e de pós-graduação ligados ao marketing político oferecem noções de ética, legislação eleitoral e opinião pública.

FORMAÇÃO

Não há formação específica para a função, mas publicitários, jornalistas e profissionais de comunicação têm mais facilidade e penetração nesse mercado.

Apesar da forte demanda por profissionais, a área de atuação é bastante seletiva. “Sugiro começar como assessor e fazer parte de uma base de deputados até que o profissional consiga organizar uma campanha ou fazer parte dela”, conta Caio Manhanelli, 31, antropólogo e consultor de marketing político.

Manhanelli participou ativamente de sua primeira campanha aos 12 anos, sob supervisão do pai, com quem aprendeu os macetes da área. “Já tinha feito cursos de diagramação e recebi meu primeiro trabalho: desenhar logotipos. Meu pai sempre trabalhou nesse ramo”.

Para ele, ainda há muito a ser feito para que o profissional de marketing político seja reconhecido. “Os candidatos têm a cabeça fechada, valorizam apenas o marketing eleitoral. Eles precisam entender que o marketing não é só comunicação ou propaganda, é um estudo de estratégias.”

Via Classificados Folha

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