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Quais são os motivos por trás das interações humanas em situações sociais? Como as pessoas se comportam em grupos? Os processos biológicos podem fornecer pistas sobre como as pessoas fazem escolhas na área financeira? A neurociência social centra-se em questões como essas e avançou para explicar a complexa relação entre a biologia e o comportamento.

Compreender como as pessoas processam informações sociais é uma área importante de pesquisa para os neurocientistas sociais. Estudos de imagem cerebral mostram que as pessoas respondem de forma diferente a outros membros de seu próprio grupo social do que para estranhos. Esta pesquisa apóia a importância da informação social na forma como as pessoas interagem com o mundo ao seu redor.

Outras pesquisas indicam que as interações sociais podem ser gratificantes, especialmente entre as mulheres. Neurocientistas analisaram os cérebros das mulheres enquanto jogavam um jogo colaborativo. Quando os jogadores cooperavam, os pesquisadores observaram a ativação em partes do cérebro relacionadas a recompensa. Estudos posteriores realizados com os homens tiveram um resultado um pouco diferente. Seus mecanismos de recompensa foram mais ativados quando eles tiveram a oportunidade de punir os jogadores que estavam errando. Pesquisa semelhante está estudando os benefícios e bases biológicas dos conceitos sociais de generosidade, empatia e justiça social, tanto em pessoas como em animais.

O Hormônio do Social

A química do cérebro desempenha um papel na modificação de comportamentos sociais. Os pesquisadores descobriram que o hormônio oxitocina é importante em alguns comportamentos sociais. Liberado pela glândula pituitária, a oxitocina tem sido conhecida por seu envolvimento no parto e em ajudar as mães a criarem vínculo com seus bebês. Seu impacto sobre os comportamentos sociais, no entanto, só recentemente se tornou aparente.

Um estudo descobriu que ratos incapazes de produzir oxitocina não conseguia mais reconhecer os ratos que tinham encontrado anteriormente, mas quando a oxitocina foi injetada na amígdala, a parte do cérebro responsável pelo processamento deste tipo de informação, a capacidade dos ratos de se envolver socialmente foi restaurada. Outro estudo relatou que crianças com autismo têm baixos níveis de oxitocina. Embora as causas do autismo sejam variadas e complexas, isto sugere que a oxitocina pode desempenhar um papel importante.

Com base neste trabalho, outros pesquisadores verificaram que a oxitocina aumenta a confiança em uma situação financeira. Em um jogo que testou a confiança, os participantes que inalaram a oxitocina investiram mais dinheiro do que aqueles que inalaram uma substância inativa. Além disso, estudos de imagem cerebral sugerem que, mesmo depois que sua confiança havia sido violada, os investidores que haviam inalado a oxitocina não mostraram sinais de medo, e não diminuíram seus investimentos. Decisões econômicas, decisões feitas por indivíduos em um ambiente social, e decisões tomadas por grupos são todas estudadas por neurocientistas sociais.

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O Stress na Vida Cotidiana

Os neurocientistas também monitoraram os efeitos de construções sociais, tais como status socioeconômico e stress crônico. A pesquisa mostrou que vivem em um estado de estresse crônico pode prejudicar o hipocampo, que é fundamental para o aprendizado e a memória. O stress crônico também tem sido associado a uma série de doenças, incluindo hipertensão arterial, endurecimento das artérias e distúrbios abdominais.

Estudos com babuínos estão ajudando pesquisadores a compreender melhor o stress social. Como as pessoas, os babuínos vivem em grupos sociais e gastam muito tempo interagindo. Muitas dessas interações geram stress, em grande parte construída em torno de competição por posição social.

Em geral, entre os babuínos em uma hierarquia de dominância estável, animais com nível social mais baixo são mais estressados, indicado pelo aumento dos níveis de hormônios do stress. E enquanto babuínos com nível social mais alto são geralmente mais relaxados, os machos alfa são a exceção – são marcadamente mais estressados do que os seus pares.

A posição social não é o único fator que determina os níveis de stress em babuínos. A personalidade é importante também. Aqueles que são isolados ou entendem atividades sociais, mesmo benignas, como um rival dormindo por perto, como uma ameaça, são mais estressados – e menos saudáveis em geral.

Estudos de neurociência sociais como estes estão ajudando a descobrir porque nos comportamos da maneira como fazemos. Apesar de ainda ser um campo relativamente novo, a neurociência social está ilustrando a ligação indissolúvel entre o cérebro, a mente, as interações interpessoais e o corpo.

Via Brain Facts

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